Este é o segundo ano que o Brasil celebra o ‘Dia Nacional de Combate ao Bullying’. A data foi instituída em 2016 para lembrar o massacre em Realengo, no Rio de Janeiro, em que um homem de 26 anos, vítima de bullying, invadiu uma escola pública e matou 16 estudantes. Esta data ratifica a luta dos brasileiros contra a violência física e psicológica que atinge crianças e adolescentes, sobretudo no ambiente escolar.

Lamentavelmente, no Brasil, ser diferente significa tornar-se alvo de ofensas e humilhações sistemáticas. Jovens de todas as regiões, raças, crenças e classes sociais têm sido vítimas de bullying, sem que as escolas consigam reagir de maneira eficaz, no sentido de erradicar o preconceito e a discriminação.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação com alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, publicada pelo jornal Folha de São Paulo, revelou que 4 em cada 10 estudantes disseram ter sofrido violência física ou psicológica na escola. Uma parte admitiu que a violência ocorreu dentro de sala de aula e que fora praticada por um colega.

O problema é que a reação ao bullying pode ser nenhuma ou extrema. Em Goiânia, um estudante de 14 anos, vítima de bullying, entrou em uma escola armado e fez vários disparos. Matou dois colegas e feriu outros. Uma reação trágica, que marcou para sempre a sociedade goiana.

O combate ao bullying é necessário e urgente, mas sem recursos financeiros e humanos, as escolas não têm condições de realizar atividades extracurriculares de combate à violência física e psicológica. Essas ações são fundamentais, porque o bullying nada mais é que a ignorância sobre as diferenças. E ignorância se combate com educação.

Falando em ignorância, me deixou entristecido e indignado um vídeo que circulou nas redes sociais o qual mostra um menino, negro e portador de deficiência física, com má formação nas pernas e nos braços, sendo chamado de ‘bola de gude’. A cena que mostra o menino cercado e achincalhado por crianças da mesma idade revela um quadro grave de ignorância. Talvez elas não saibam que estavam ali cometendo um crime de injúria contra aquela criança.

As escolas precisam reforçar o combate ao bullying realizando campanhas educativas, envolvendo pais, mestres e alunos, e ações pedagógicas extracurriculares envolvendo as comunidades. Por outro lado, a participação da família é indispensável. Apoiar a criança vítima de bullying é muito importante. Os pais precisam encorajá-la, para que ela tenha autoestima e enfrente as humilhações sem ser atingida psicologicamente. Já a criança que pratica o bullying também precisa de orientação dos pais. É importante ensinar-lhe o respeito, a igualdade e o amor ao próximo. A criança preconceituosa e agressiva de hoje poderá o ser o criminoso de amanhã.