Todo jovem atleta, criança ou adolescente, entrou no esporte sonhando com o pódio e, principalmente, com o estrelato. Para alcançar o objetivo, ele mergulha em uma longa jornada que lhe exige esforço, dedicação e superação. Mas há atletas que sofrem bem mais que os outros, porque estão sendo alvos da violência física e psicológica.

Abusos sexuais, agressões físicas, bullying, racismo e violência contra a mulher são alguns tipos de violência sofridos por centenas de jovens atletas no Brasil, que estão construindo suas carreiras à base de agressões físicas, psicológicas, humilhações e abusos. A violência tem sido rotineira no esporte, como se fizessem parte dos treinos nos campos, nas quadras, nas pistas e nas piscinas.

Quantos jovens atletas desistiram de suas carreiras promissoras por causa da violência? E quanto o Brasil perde com a violência contra crianças e adolescentes no esporte? No dia 9 de março de 2016, o menino Denílson Silva, de 13 anos, que sonhava ser goleiro do time do coração, o Sport Recife, foi assassinado após sair de casa para a escolinha de futebol. Vítima de abuso sexual, o menino foi morto porque denunciaria o professor à polícia.

Lamentavelmente, a violência faz parte da rotina do esporte. Muitos atletas, medalhistas olímpicos e campeões mundiais em suas modalidades, carregam no coração as mágoas da violência física e psicológica que sofreram até chegarem ao estrelato. E hoje, consagrados no Brasil e no exterior, usam a fama como instrumento para mobilizar a sociedade contra a violência nas categorias de base. Tenho como exemplo a ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão, que foi vítima de violência sexual pelo próprio treinador. Ela transformou a dor em causa social e atualmente, ela viaja pelo Brasil falando sobre a importância de protegermos os jovens contra o abuso sexual no esporte.

Há uma diferença entre a educação rígida dos treinos e a violência que humilha, abusa e afasta o atleta. Não podemos permitir que a violência física e psicológica faça parte da rotina do esporte e na formação de jovens atletas. A criança e o adolescente precisa sentir orgulho de si próprio para que represente, com honra, o município, o estado ou o país nas competições de sua modalidade.

Para forjarmos novos heróis da Nação, precisamos primeiro acabar com a violência no esporte. Assim, certamente teremos atletas mais bem preparados, capazes de enfrentar o mundo com a bandeira do Brasil no peito.