INVESTIGAÇÃO

Engenheiros contratados da Vale serão ouvidos na CPI de Brumadinho

Requerimentos de convocação foram apresentados à CPI e aguardam aprovação

Dois requerimentos de autoria do deputado federal Roberto Alves (Republicanos-SP) foram aprovados pela CPI da Câmara dos Deputados que investiga o rompimento da barragem em Brumadinho (MG), nesta terça-feira (8).

O primeiro convoca, como investigado, o engenheiro Makoto Namba, da empresa de consultoria alemã TÜV SÜD Brasil, e o segundo convida, como testemunha, a engenheira Ana Lúcia Moreira Yoda, da empresa Tractebel Engeneering. Ambos deverão dar explicações sobre os fatos que contribuíram para o desastre que matou mais de 230 pessoas no dia 25 de janeiro deste ano. Mais de 30 corpos estão desaparecidos.

Makoto Namba é um dos responsáveis por assinar o laudo que atestou a estabilidade da barragem que se rompeu. Ana Lúcia trabalhava diretamente na barragem e alegou não ter visto falhas, atestando também a estabilidade da estrutura. Os dois requerimentos foram aprovados por unanimidade pelos membros da comissão.

A data das oitivas ainda serão definidas pela presidência da CPI.

Silêncio

Esta será a primeira vez que Makoto Namba irá prestar esclarecimentos à Câmara dos Deputados. Em depoimento à polícia, alegou ter sido pressionado pela empresa Vale para assinar o laudo de estabilidade. Por conta disso, ele foi preso a pedido do Ministério Público de Minas Gerais, mas foi solto por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Mesmo sendo alvo de investigações, o engenheiro conseguiu na Justiça mineira o direito de permanecer calado às indagações relacionadas ao desastre. Ele compareceu à audiência da CPI instalada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, e não respondeu a nenhuma das perguntas feitas pelos parlamentares.

O deputado Roberto Alves enfatizou que essa restrição não irá impedir a CPI de cumprir o seu trabalho investigatório. “A convocação é importante, por se tratar de uma pessoa investigada. Ele pode exercer o seu direito de ficar calado, mas irá enfrentar a todos nós, membros desta comissão, e atestar, pelo silêncio, a sua cumplicidade nesse crime que marcou a história dos nosso país”, afirmou.

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